Às vezes, a palavra que usamos muda o jeito como entendemos aquilo que estamos sentindo.

THE DAILY HUMAN

Queria que fosse amanhã

Minha filha tinha nove ou dez anos quando começou a dizer que estava ansiosa para as férias. Depois era para a próxima temporada de uma série.
Às vezes dizia:
– Fico ansiosa só de pensar.

Eu entendia o que ela queria dizer. Ela queria que chegasse logo. Um dia perguntei:
– Mas você está ansiosa?
– Estou.
– Como é essa ansiedade?
Ela pensou.
– Ah, pai… eu quero que chegue logo.

Não corrigi.
Às vezes só devolvia de outro jeito.
– Então você está animada para as férias.
Ou:
– Está com muita vontade de assistir.
Ela concordava e a conversa continuava. Depois de algum tempo, parei de ouvir a palavra.

Outro dia falou de uma coisa que vai acontecer daqui a algumas semanas. Contou o que queria fazer, com quem queria ir, até a roupa que talvez usasse.
No final disse:
– Queria que fosse amanhã.