
THE DAILY HUMAN
A buzina
A buzina nem foi tão longa. Foi um toque curto, desses que parecem dizer:
– Ei… acorda.
Olhei pelo retrovisor procurando quem tinha errado. Não encontrei ninguém. O sinal tinha acabado de abrir. O carro da frente ainda nem tinha começado a sair.
A buzina veio antes do atraso existir.
O mais estranho foi perceber que meu corpo acreditou nela. Meu pé foi para o acelerador. Meus ombros endureceram. Por um instante, senti que eu realmente estava atrasando a vida de alguém. Nem era comigo. Ainda assim, a pressa tinha chegado.
Olhei de novo para o trânsito. O carro da frente continuava parado. Só então percebi um pedestre terminando de atravessar a faixa.
Era o jeito de andar
Antes de qualquer palavra, duas pessoas já podem ter começado uma conversa.
Croc. Croc.
Algumas escolhas começam muito antes de alguém dizer o que deveríamos escolher.
