
THE DAILY HUMAN
Só um número
A mesa estava coberta por papéis que eu jurava ainda precisar. Eu procurava um documento. Pegava um papel, olhava e colocava de lado. Conta paga. Orçamento antigo. Manual de alguma coisa. Um envelope vazio.
No meio deles encontrei a garantia de uma televisão que eu já não tinha. Olhei a data. Joguei fora. Logo depois apareceu a nota fiscal da mesma televisão. Foi junto.
Então encontrei um pedaço de papel com um número escrito à mão. Só o número. Sem nome. Sem data. Fiquei olhando para ele. Talvez fosse importante. Talvez fosse de alguém. Coloquei de volta na mesa. Continuei procurando.
O documento estava debaixo de um envelope grande, perto do teclado. Guardei o que precisava e comecei a juntar a bagunça. A garantia e a nota fiscal ficaram no lixo. O resto voltou para a mesa. Inclusive o papel com o número.
No dia seguinte, sentei para trabalhar e ele estava bem na minha frente. Tentei imaginar de quem era. Não consegui. Peguei o celular. Pensei em ligar. Desisti.
Na hora do almoço, levantei para fazer um café e levei o papel comigo. Parei diante da lixeira. Olhei o número mais uma vez. Joguei fora.
Voltei para a mesa.
O chinelo
Algumas coisas a gente leva sem saber exatamente por quê. Só entende depois.
Uma deitadinha
Às vezes, parar por um tempo é justamente o que faz o restante do dia voltar a andar.
