Nem todo cansaço chega quando a gente espera. E nem toda disposição precisa parecer energia.

THE DAILY HUMAN

Ainda inteiro

Como é que hoje eu acordei às seis e ainda estou inteiro? Foi a primeira coisa que pensei quando olhei o relógio. 6h07.

Eu tinha ido dormir cedo na noite anterior, mas não tão cedo a ponto de aquele horário parecer razoável. Fiquei deitado mais alguns minutos. Não estava tentando voltar a dormir. Só estava acordado.

Levantei. Fiz café. Quando terminei, ainda eram seis e meia. Essa foi a parte estranha. Eu tinha uma manhã inteira pela frente e já estava funcionando.

Normalmente, quando acordo cedo demais, existe uma espécie de dívida acompanhando o resto do dia. Ela não aparece na hora. Vem depois. No meio da manhã. Depois do almoço. No fim da tarde, quando começo a calcular quanto falta para poder parar.

Naquele dia, fiquei esperando. Trabalhei. Almocei. Voltei para o computador. Às quatro da tarde, percebi que ainda não tinha acontecido. Não estava particularmente animado. Nem cheio de energia. Só não estava cansado. Olhei para o relógio outra vez. 16h12. Dez horas desde que eu tinha acordado. Continuei trabalhando.

Mais tarde, quando fui guardar uma xícara na cozinha, pensei na noite anterior. Eu tinha ido para a cama porque estava com sono. Só isso. Não porque já estava tarde. Não porque precisava acordar cedo. Estava com sono e fui dormir.

Naquela noite, pouco depois das dez, senti sono novamente. Olhei a hora. Por alguns segundos pensei que ainda estava cedo. Depois apaguei a luz.