
THE DAILY HUMAN
Era o jeito de andar
Ela atravessou a entrada do prédio e eu acompanhei por alguns segundos. Não tinha sido o rosto. Nem a roupa. Era o jeito de andar. Feminina. Não sei explicar melhor do que isso.
Dias depois, eu estava descendo de elevador com outra pessoa quando a porta abriu alguns andares abaixo.
Era ela.
Entrou. Apertou o botão. Ficou de frente para a porta. Em algum momento, virou e ficou olhando para mim. Sorriu com os olhos.
Tinha outra pessoa ali dentro. E eu não tinha nada na mão para fingir que estava fazendo alguma coisa. Olhei para os números. Para a tela do elevador. Depois para ela.
Ela estava olhando. Veio o sorriso de verdade. Parecia querer dizer alguma coisa. Ninguém disse nada.
A porta abriu no térreo. Eu saí.
Ela continuou descendo.
E ficou tudo ali dentro.
Uma deitadinha
Às vezes, parar por um tempo é justamente o que faz o restante do dia voltar a andar.
O exame de rotina
Eu revisava o carro antes de viajar e cuidava do computador ao primeiro sinal de problema. Com o corpo, esperava que ele reclamasse primeiro.
