Quanto mais procuramos uma posição confortável, mais fácil pode ficar encontrar alguma coisa incomodando.

THE DAILY HUMAN

Exatamente como eu estava

Deitei e fiquei procurando uma posição confortável. Virei para o lado direito.
Depois para o esquerdo. Estiquei uma perna. Dobrei a outra. Puxei o travesseiro um pouco para baixo.

Não ficou bom. Coloquei o braço embaixo dele. Piorou. Tirei. Virei de barriga para cima. Fiquei alguns segundos olhando para o teto. Também não.

Voltei para o lado. Ajeitei o lençol perto dos pés porque achei que talvez fosse aquilo. Não era.

Eu estava cansado. Só não conseguia encontrar um jeito bom de ficar. Continuei tentando. Até que parei.

A cabeça encaixou no travesseiro. As pernas ficaram numa posição que não incomodava. O braço encontrou um lugar. Finalmente. Fiquei quieto.

Foi quando percebi que estava exatamente como tinha começado. Do mesmo lado. Com a mesma perna dobrada. O braço quase no mesmo lugar. Até o travesseiro tinha voltado para onde estava.

Dei uma risada sozinho. Eu tinha acabado de passar alguns minutos procurando a posição em que já estava.

Fechei os olhos. Por alguns segundos, tive vontade de me mexer de novo. Não porque estivesse desconfortável. Só porque comecei a prestar atenção no ombro. Depois no pescoço. Depois na perna encostando na outra. Parecia que bastava procurar algum incômodo para encontrar um.

Então fiquei quieto.