Algumas escolhas começam muito antes de alguém dizer o que deveríamos escolher.

THE DAILY HUMAN

Croc. Croc.

Quando fazíamos compras, minha filha ia sentada no carrinho. Na seção de frutas e verduras, eu já sabia que a compra ia demorar um pouco mais.

Passava pelas uvas. Ela esticava o bracinho. Pegava uma. Mais adiante tinha manga cortada. Provava também. Às vezes mexerica. Às vezes abacaxi.

Mas tinha uma que não podia faltar. A cenoura. Eu pegava uma, quebrava um pedaço e entregava. Ela ficava sentadinha no carrinho, roendo. Croc. Croc. E eu continuava escolhendo tomate, alface, cebola.

Na época, eu nem pensava muito naquilo. Achava engraçado uma criança passar por tanta fruta e terminar feliz da vida com um pedaço de cenoura crua na mão.

Anos depois, reparei no prato de uma criança. Ela já tinha terminado de comer. Num canto, ficaram alguns legumes. Quase intocados.

Fiquei olhando para aquilo e me veio a imagem da minha filha no carrinho. Ninguém precisava pedir para ela comer a cenoura. Ela só estava ali, na mão dela. Croc. Croc.
E a compra continuava.

  • A aba do navegador

    Comecei procurando uma informação e terminei com doze abas abertas. O estranho foi perceber o que eu realmente guardava em cada uma delas.

  • E ali fiquei

    Estar disposto e fazer alguma coisa nem sempre acontecem ao mesmo tempo.